terça-feira, setembro 28, 2010

Como fazer um filme em três tempos

Urgências de um hospital, como acompanhante, ele de cateter e um belo frasco de soro, eu a evitar olhar para o sangue que entretanto entrou pelo tubo (não me lembro do nome técnico). Tudo à nossa volta é amarelo. As horas passam. Um corrupio de macas, enfermeiros, doentes e médicos.
Nisto chegam dois policias (afinal eram guardas prisionais), acompanham um jovem que está a "fazer" gelo no rosto, senta-se ao meu lado e nisto reparo que está algemado.
Passado uns minutos, um dos guardas afasta-se, porque conhece alguém e o outro segue-lhe o caminho para atender uma chamada.
Ficamos os dois ali, lado a lado.
De repente o meu cérebro teve um click e passou para o modo policialmente parvo...E se ele de repente colocar as algemas à volta do meu pescocinho, como retaliação? Como é que me defendo? Ando ás voltas naquele pensamento, irrequieta na cadeira, quando cruzamos o olhar.
Os olhos, verdes, mostravam medo, bastante medo.
Desliguei o filme na minha cabeça, mudei de cadeira e tive vergonha.

3 comentários:

Manuela disse...

Dudu, que pensamento estranho? Nem por isso! Também pensaria o mesmo. Mas depois também me sentiria culpada, por ver o medo nos olhos dele. Somos todos humanos, que havemos de fazer?
Beijinhos.

GATA disse...

À partida, não estando armado, não poderia fazer-te muito mal... umas escoriações até os dois polícias controlarem a situação.

O que interessa é: como está ELE???

Dudu disse...

Gata
Agora está bem :)